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Nas nuvens

Nas nuvens

16 de maio, 00:30

Há um lado indesejável neste País convertido em telenovela cor-de-rosa.

O País parece viver estes dias nas nuvens. A trilogia Fátima – Futebol – Fado reincarnou e colocou a Pátria uns centímetros valentes acima do solo.

Em suspenso. Poucos espíritos terão motivo de queixume. Se não viram o seu clube ganhar o campeonato, serviu-lhes de consolo metafísico a visita papal de Francisco, com direito a tolerância de ponto aos funcionários públicos; ou logo de seguida a vitória do antitelevisão Salvador Sobral na Eurovisão, uma histórica competição de música de festival que sempre nos tratou mal ou com indiferença, e da qual não tínhamos até agora especiais memórias. De encomenda, não sairia melhor.

Há um lado muito positivo neste ambiente de esperança e felicidade. O País deve celebrar, com justiça, a sua cultura, os seus progressos e as suas conquistas coletivas. E são inúmeras as vantagens da melhoria da nossa autoestima, como da reputação nacional aos olhos da Europa e do Mundo.

Mas há também um lado indesejável e até perverso neste País em suspenso, convertido em telenovela cor-de-rosa: é ele o de um certo esquecimento ou alienação do que podemos, devemos e temos de fazer. Este otimismo coletivo não pode servir de desculpa ou álibi para não empreender as reformas que estão adiadas: no Estado (quase obsoleto) e no sistema político (em crise), na competitividade da economia e nos transportes (uma sombra de modernidade), nos fundos estruturais (atrasados e desajustados) e no sistema tecnológico e científico nacional (pouco ligado ainda às empresas e às regiões).

O otimismo é sempre bom quando serve de tónico para fazer, não de soporífero para uma procrastinação. O ‘dolce fare niente’ a que se quer entregar o Governo até às eleições autárquicas, surfando a onda do verão e alguns prémios de bom comportamento às ‘esquerdas’, pode obrigar-nos mais tarde a cair das nuvens aos tropeções.

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