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Aquela cativa era um activo

Aquela cativa era um activo

22 de abril, 00:30

Muito antes de CR7, fomos várias vezes Bola de Ouro da escravatura. Dávamos cartas. (Menos de alforria).

Chocou-me o discurso que o Presidente da República fez no Senegal, em que aligeirou o papel de Portugal na história da escravatura.

Apesar da distância civilizacional entre o país do séc. XV e o do séc. XXI, não tenhamos receio de avaliar práticas de há 500 anos pelo prisma da moral contemporânea. Afirmemos, sem pejo, que, à luz dos padrões que hoje nos regem, sobressai uma verdade irrefutável: durante três séculos, Portugal foi o melhor do Mundo numa área altamente competitiva!

Ok, trata-se da escravatura e a escravatura é, até prova em contrário, desagradável. Mas não devemos olhar para o copo meio vazio. Evite-se o botabaixismo, tão mau para a nossa auto-estima. Os portugueses devem saber que, muito antes de CR7, fomos várias vezes Bola de Ouro da escravatura. Dávamos cartas. (Menos de alforria).

Cada navio era uma start up, cada negreiro um empreendedor. Disruptivamente, Portugal tornou-se numa potência do tráfico esclavagista. Através de um estudo de mercado certeiro, identificou um negócio típico que era explorado por muitos, mas de forma amadora, e, com benchmarking competente, transformou-o numa indústria profissionalizada.

Isto sem desvirtuar o produto, sempre orgânico, biológico, enfim, sustentável. Fez à escravatura o que a Zara fez ao pronto a vestir. Resolveu o desafio logístico do acondicionamento e transporte, com práticas que ainda hoje inspiram gigantes como a Amazon. Numa altura de crise económica, pensou fora da box, saiu da zona de conforto (bem, os escravos saíram um pedacinho mais) e monetizou com um ROI muito interessante. É um case study que só por má vontade não é ensinado em MBAs. Se no séc. XVI já houvesse daquelas reportagens parolas em que perguntam aos estrangeiros se o nosso país não é fantástico, de certeza que teríamos relatos de escravos a gabar a forma como os traficávamos.

Infelizmente, numa típica atitude lusitana, preferimos destacar o único ponto negativo, i.e, que isto foi conseguido à custa da venda de pessoas. É verdade, o branding não foi tão cuidadoso quanto o packaging. ‘Tráfico de escravos’ não soa muito bem. Num brainstorm podiam facilmente ter chegado a algo mais catchy, tipo ‘Gestão de Recursos Inumanos’.

Mas é inegável que, quando se fala em escravatura, não se pensa em árabes ou africanos, que a praticavam antes e continuaram a praticar depois. Pensa-se em Por-tu-gal! Como gilete para as lâminas de barbear, somos os esclavagistas por metonímia. Criámos uma marca forte. Um unicórnio. O que significa que temos capacidade de o voltar a fazer.

Era isto que Marcelo devia ter dito. Da próxima vez, espera-se que o Presidente deixe que seja o Sec. de Estado da Indústria a falar. João Vasconcelos é estupendo a enaltecer Portugal com jargão empresarial modernaço. Dêem-lhe 15 dias e organiza já um Slavery Summit.

SUPERSTIÇÕES TROCADAS POR MIÚDOS  
Os pais que não vacinam os filhos rejeitam um dos grandes avanços tecnológicos da humanidade, por ‘não ser natural’. Têm medos, fundados em estudos pouco sólidos ou episódios sem relevância estatística, e esses medos reflectem-se na aversão quase-religiosa com que renegam avanços da ciência, em troca de soluções mais ‘naturais’.

É o mesmo raciocínio que leva a considerarem o CO2 um poluente e quererem restringir a energia barata e acessível proporcionada por combustíveis fósseis.

Às vezes, ambas as superstições conjugam-se para prejudicar a humanidade com mais vigor. Em África, por não terem a abundância energética que temos na Europa, a falta de cadeia de frio faz com que as vacinas não cheguem a grande parte da população. Tão felizes, os africanos, sem químicos no corpo e sem CO2 no ar!

QUEM TEM FILHOS TEM COBAIAS   
Entretanto, pondera-se tornar obrigatória a vacinação. Pelos vistos, partidos que acham que os pais não devem poder escolher se os seus filhos são ou não vacinados, mas estão capacitados para escolher se ficam com o sexo com que nasceram ou se mudam para outro. Vai ser assim:
Pai - Não vacino o meu filho!
Estado - A escolha não é sua. Está a pôr em risco a saúde da criança.
Pai - O meu filho diz que afinal é uma filha. Queremos colocar-lhe um pipi!
Estado - Sala de operações reservada para depois do almoço. Até já! 

AI! CAUTELA COM OS QUÍMICOS!   
Aviso a todos os interessados numa vida saudável em comunhão com a Natureza e os produtos que Ela nos concede: anda por aí à solta uma perigosa macedónia de químicos. Mistura Mn (magnésio), P (fósforo), C29H50O2 (tocoferol alfa), K (potássio), C28H48O2 (tocoferol beta), Fe (ferro), Zn (zinco), C6H5NO2 (ácido nicotínico), C12H17N4OS+ (tiamina), C6H8O6 (ácido ascórbico), C27H46O2 (tocoferol delta) e sabe-se lá que outros venenos.

É traficada sob o inofensivo nome ‘quinoa’ mas é, na realidade, uma mixórdia de químicos. Blhéc! Proíba-se já!

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