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Costa, o venturoso

Costa, o venturoso

20 de maio, 00:30

Se os primeiros ministros tivessem cognome, Costa seria “O Venturoso”.

Se os primeiros-ministros tivessem cognome, António Costa poderia repristinar o de D. Manuel: "O Venturoso". Ao crescimento económico, à contenção do défice e até à eleição de Guterres como secretário-geral da ONU, somam-se o campeonato europeu de futebol, a vitória no festival da Eurovisão, a canonização dos pastorinhos e, não menos importante, o ‘tetra’ do Benfica.

Sorte apenas? Nem tanto. Só António Costa seria capaz de construir e fazer funcionar a "geringonça" (excetuando, talvez, Jorge Sampaio). E a solução governativa em curso tem méritos indiscutíveis, como trazer para o campo da responsabilidade os partidos mais à esquerda, viciados no protesto inconsequente, apaziguar os sindicatos e viabilizar a alternância democrática.

Ao contrário de Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa compreendeu desde o primeiro momento as virtualidades desta solução e, sobretudo, a falta de alternativas estáveis. O PSD e o CDS estão na posição ingrata de quem vestiu fato de cerimónia para um casamento, após a vitória com maioria relativa, e só se apercebeu à última hora de que iria fazer uma dura caminhada.

Nos momentos de maior euforia, Marcelo resguarda-se. Ninguém sabe o dia de amanhã e nenhuma solução é eterna. Porém, os apostadores já prognosticam, com verosimilhança, o futuro triunfo do PS com maioria absoluta. Aliás, Costa disse que gostaria de contar com o apoio do Bloco e do PCP mesmo nesse quadro. Mas como reagirão tais partidos a um esvaziamento gradual?

Certo é que Portugal já demonstrou a sua propensão ciclotímica. Quem não se lembra da euforia da Expo 1998 e da libertação de Timor, a que se seguiu a depressão do pântano? Ou do crescimento que antecedeu a intervenção da troika em 2011? Reitero, pois, as palavras avisadas de Carlos Rodrigues no ‘CM’: cuidado com o otimismo, é necessário consolidar o sucesso.

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